A partir do ano que vem, professores e funcionários do Centro Paula Souza, responsável pelas 162 Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) e 48 Faculdades de Tecnologia (Fatecs), poderão receber bônus de até 2,4 salários caso atinjam suas metas. O sistema é semelhante ao implementado no ano passado pela Secretaria de Estado da Educação para professores e funcionários das escolas de ensino fundamental e médio da rede.
O modelo de bonificação será regido pelo recém-criado Índice de Desenvolvimento do Ensino Técnico e Tecnológico do Estado de São Paulo (Idetec), indicador que leva em conta a empregabilidade dos alunos formados, a taxa de conclusão de curso, a produtividade das unidades e os resultados de uma avaliação feita com professores e estudantes. Com isso, quanto mais alunos uma unidade colocar no mercado de trabalho melhor será sua avaliação e também sua bonificação - atualmente, 92,8% dos alunos das Fatecs estão empregados um ano depois de formados.
"Há muito tempo focamos nosso trabalho nos resultados e há dez anos temos um sistema de avaliação que usamos para fazer o acompanhamento de cada da unidade. A bonificação será um incremento nesse sistema", diz o vice-diretor superintendente do Centro Paula Souza, César Silva. "O primeiro pagamento do bônus está previsto para o começo do ano que vem, referente ao desempenho deste ano", diz.
Cada Fatec e Etec será dividida em grupos para avaliação, de acordo com seu tamanho, curso e tempo de existência. A meta de cada uma delas será chegar ao Idetec da melhor unidade do grupo. Além da meta por unidade, cada profissional será avaliado individualmente pela assiduidade.
O Idesp, índice que determina o pagamento do bônus nas escolas de ensino fundamental e médio regular do Estado, leva em conta o desempenho do estudante em português, matemática e ciências, numa avaliação aplicada pelo governo, e o índice de aprovações das escolas. A meta de cada escola é individual, baseada no quanto ela precisa evoluir em relação a seu próprio desempenho.(AE)
A partir do ano que vem, professores e funcionários do Centro Paula Souza, responsável pelas 162 Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) e 48 Faculdades de Tecnologia (Fatecs), poderão receber bônus de até 2,4 salários caso atinjam suas metas. O sistema é semelhante ao implementado no ano passado pela Secretaria de Estado da Educação para professores e funcionários das escolas de ensino fundamental e médio da rede.
O modelo de bonificação será regido pelo recém-criado Índice de Desenvolvimento do Ensino Técnico e Tecnológico do Estado de São Paulo (Idetec), indicador que leva em conta a empregabilidade dos alunos formados, a taxa de conclusão de curso, a produtividade das unidades e os resultados de uma avaliação feita com professores e estudantes. Com isso, quanto mais alunos uma unidade colocar no mercado de trabalho melhor será sua avaliação e também sua bonificação - atualmente, 92,8% dos alunos das Fatecs estão empregados um ano depois de formados.
"Há muito tempo focamos nosso trabalho nos resultados e há dez anos temos um sistema de avaliação que usamos para fazer o acompanhamento de cada da unidade. A bonificação será um incremento nesse sistema", diz o vice-diretor superintendente do Centro Paula Souza, César Silva. "O primeiro pagamento do bônus está previsto para o começo do ano que vem, referente ao desempenho deste ano", diz.
Cada Fatec e Etec será dividida em grupos para avaliação, de acordo com seu tamanho, curso e tempo de existência. A meta de cada uma delas será chegar ao Idetec da melhor unidade do grupo. Além da meta por unidade, cada profissional será avaliado individualmente pela assiduidade.
O Idesp, índice que determina o pagamento do bônus nas escolas de ensino fundamental e médio regular do Estado, leva em conta o desempenho do estudante em português, matemática e ciências, numa avaliação aplicada pelo governo, e o índice de aprovações das escolas. A meta de cada escola é individual, baseada no quanto ela precisa evoluir em relação a seu próprio desempenho.(AE)
Jogo da memória com fotos das crianças Conteúdo Jogos Objetivos -Divertir-se com o jogo da memória - Compartilhar de um mesmo jogo com o grupo de colegas - Conhecer as regras do jogo da memória
Ano Crianças entre 2 e 3 anos
Tempo estimado Mínimo de quinze minutos e máximo de 30 minutos para cada situação de aprendizagem
Material necessário Pares de cartões com fotos das crianças da turma, tamanho mínimo de 10X10 Cartolina ou papel mais resistente Plástico adesivado para encapar
Desenvolvimento das atividades
1. Tirar fotos das crianças e imprimir cada uma duas vezes para confeccionar os cartões
Informar às crianças que as fotos estão sendo tiradas para confecção do jogo da memória. Recortar as fotos e colar na cartolina mostrando para as crianças conforme forem ficando prontas.
2. Apresentar o jogo
Em roda mostrar o jogo e organizar as peças para que as crianças vejam como se joga. Inicialmente propor o jogo da memória aberto (com as imagens voltadas para cima) e propor para que determinadas crianças encontrem os pares. Deixar que as crianças manuseiem os cartões, sem pressa de que se apropriem das regras convencionais.
3. Organizar mesas com no máximo cinco crianças para que possam jogar o jogo em diferentes momentos
Levar outros jogos que as crianças já conheçam (ex. quebra cabeça, jogos de montar, quebra-gelo) e organizar grupos de crianças para jogá-los. Caso haja mais de uma educadora na turma, uma pode dar apoio aos grupos que estiverem jogando os jogos já conhecidos, enquanto a outra fica na mesa do jogo da memória. Caso não haja outra educadora, organizar primeiro os grupos que jogarão os jogos já conhecidos. Deixar que as crianças joguem sem fazer intervenções sistemáticas nas jogadas de cada uma. A educadora pode ser uma das participantes do jogo e servir como modelo para as crianças. Promover o rodízio das crianças para que a maioria jogue todos os jogos.
Fonte: Revista Nova Escola Postado por Oficina de idéias às 13:50
O Fernando aborda a questão do ECA, legislação que seria "a mais frouxa do mundo" com respeito aos "atos infracionais" dos menores.
Fico sempre assustada com esse tipo de argumento, pois não acredito em punir, mas em educar. Punir uma criança ou adolescente é, sim, necessário, quando todos os possíveis recursos já foram esgotados. Punir o adulto é SEMPRE necessário, pois entende-se que ele já tem maturidade suficiente para entender a gravidade do ato que cometeu.
Falar em "ato infracional" quando se trata de crianças e adolescentes é uma moda que pegou no Brasil há algumas décadas, desde que iniciou o movimento de desqualificar o ECA e a tentativa de rebaixar a idade penal. Parece que a sociedade brasileira entende que crianças e adolescentes são os maiores criminosos deste país, quando apenas 1% dos crimes são cometidos por pessoas nesta faixa etária. Bem entendido: esses "criminosos" infanto-juvenis são sempre filhos "dos outros", ou seja, das faixas mais pobres da população = alunos da rede pública, quando não já expulsos ou evadidos da escola.
A tentativa de rebaixar a idade penal e focar nos "atos infracionais" de crianças e adolescentes é uma forma extremamente eficaz de desviar a atenção dos reais CRIMES dos adultos, em um país que é campeão na injustiça social e judiciária.
Fernando, você parece ser um professor dedicado e bem intencionado, mas tome cuidado para não ser manipulado por aquela parte da corporação que, isso sim, tenta isentar o profissional do ensino de suas responsabilidades, imputando a "culpa" aos alunos e seus pais.
Se "o professor e o sistema" estão sendo responsabilizados pelas mazelas da educação, isso se deve a um pensamento lógico. Vamos então comparar:
Se uma empresa como um todo vai mal, o que se faz? Trocam-se os clientes, ou então a direção e os funcionários?
Se um time de futebol não funciona, trocam-se os espectadores, ou então o treinador e os jogadores?
Se um eletricista fez uma instalação que não funciona, troca-se o eletricista, ou então a casa?
Jogo de "culpa" é pensamento primário e inconsistente. Os problemas da educação no país são graves e nunca se consegue chegar a debater seriamente a questão da qualidade, pois existem falhas e vícios mais graves na base do sistema. Assistam por exemplo este vídeo:
Certamente metade dos leitores deste blog acreditará na versão da escola e da regional de ensino (que confia na versão da escola...). Mas vamos refletir: qual o professor que deixa a classe toda esperando, para "delicadamente" conduzir um aluno de 8 anos para beber água?... E o "pobrezinho" teria escorregado da mão do professor devido ao chão encerado?!... Eu também não gosto de palavrão, então nem vou comentar esse conto da carochinha.
Esse tipo de situação ocorre em escolas de norte a sul do país por causa da IMPUNIDADE. Mas também por causa do preconceito contra o aluno da rede pública, considerado um "infrator" em potencial. No caso específico desse vídeo, ele está sendo tratado como tal! Tenham certeza de que a escola, apoiada pela regional de ensino, não vai tomar qualquer providência para punir ou afastar esse professor, que provavelmente vai continuar tendo o mesmo comportamento com outros alunos, pois foi "inocentado" e nada indica que se arrependeu ou entendeu a gravidade do seu ato. O aluno, tachado de mentiroso, vai levar essa pecha durante toda sua vida escolar, principalmente por ter aparecido na mídia e os pais não terem conseguido fazer BO, o único instrumento que lhes permitiria processar a escola. Aparentemente, esse aluno é bem amparado pela família, que provavelmente o mudará de escola e cuidará de que não fique traumatizado ou abandone os estudos. Mas a tendência é essa: aluno maltratado por professor, diretor ou outro funcionário da "educação" tem vida escolar curta, pois acaba sendo discriminado como "aluno-problema", ou seja, coloca-se sempre a questão: O que será que ele fez, para ser agredido? Daí, para a expulsão ou evasão, é um pulo.
Mas parece que não é essa a preocupação da sociedade brasileira, dividida em duas: uma paga duas escolas, para seus próprios filhos e para os filhos "dos outros". A outra parte paga uma escola onde não pode nem mesmo cobrar um tratamento civilizado para seus filhos, além de quase não ter a possibilidade de mudá-los de lá.
Fernando, você já se perguntou se o aluno "que grita e impede que uma sala toda tenha aula" não poderia ser tratado de outra forma, que não seja a suspensão ou expulsão? Que tal uma aula interessante? Talvez ele seja um líder: que tal dar-lhe tarefas que revelem essa qualidade?
De modo geral, o aluno da escola pública não passa de um número, suas potencialidades não são descobertas nem reveladas. Que ele não se atreva a ser "diferente! A escola pública brasileira não tolera o aluno que se destaca, por um motivo ou outro: seja por sua inteligência, que se traduz em questionamentos, seja por sua inquietude, que revela uma personalidade independente, menos ainda por sua vivacidade, que atrapalha uma "aula" baseada na cópia e na decoreba. Então, em lugar de ser educado, ele é punido. A responsabilidade pela boa educação é atribuída exclusivamente à família, dessa forma a escola está livre e desempedida para deseducar à vontade, como em inúmeros casos que trazemos aqui, casos que são minimizados, pois não indignam os formadores de opinião, cujos filhos estudam na rede particular...
Então, você que têm seus filhos na escola particular, se indignaria ao ver no Fantástico histórias como essas?
Mas não precisa se preocupar, histórias como essas não são divulgadas na grande mídia, elas são abafadas, pois incomodam os sindicatos da "educação" e todas as esferas governamentais, que controlam a mídia nacional. Democracia? Hein???...
Pronto: agora virei uma "destruidora" da escola pública!rs Ao contrário, eu defendo e luto por uma escola pública de qualidade PARA TODOS, inclusive para os cérebros brilhantes desperdiçados pela escola particular, comoessas meninas que não se atrevem a quebrar a "bolha" onde foram inseridas desde o nascimento. Eu tenho certeza de que só a escola pública, com a participação da comunidade fiscalizando seus atos, poderá garantir que o Brasil se torne, um dia, uma grande Nação.
Mais uma reflexão, já que este é um blog tachado de chato (e é mesmo, rs): que tipo de adultos os senhores professores imaginam formar tratando seus alunos por ameba, retardado, bicha ou atirando-lhes apagadores e livros na cabeça? Que recompensa pretendem ter? Não serão esses mesmos professores "crias" de outros que os trataram dessa forma? O "ato infracional" de um professor maltratando aluno não é mais grave do que o mesmo ato cometido por uma criança ou adolescente, seres em formação que aprendem ATRAVÉS DO EXEMPLO?
Oi, é o Joaquim de novo!!! Vim pra dizer que hoje os filmes foram muito legais em mais um dia de loucura com as escolas!!! Outra coisa boa eram as pipocas... Os filmes estavam ótimos eu gostei de todos, mas o mais legal foi o filme Rupestre, de Paulo Miranda, uma animação ótima para aprender a história do homem de uma forma divertida. Hoje a sessão foi bem legal, encontrei até a Duda... Enfim achei ótimo estar escrevendo novamente. Um abração do Joca =:¬)
O texto seguinte “fala” sobre o papel do professor em relação ao ato imaginativo do aluno: “O Menino Pintor”, escrito por Púllias e Young Earl, discute questões necessárias à reflexão em torno de ações educativas. Pense: É melhor ganhar sempre o peixe do pescador ou aprender com o pescador a pescar? Após a leitura, comente com os seus “botões”.
O menino pintor
Era uma vez um menino que ia à escola Ele era bastante pequeno E ela era uma grande escola. Mas quando o menino descobriu que podia ir à sua sala caminhando através da porta da rua, ele ficou feliz. E a escola não mais parecia tão grande quanto antes.
Uma manhã, quando o menininho estava na escola, a professora disse: “Hoje nós iremos fazer um desenho”. “Que bom” pensou o menininho. Ele gostava de fazer desenhos. Ele podia fazê-los de todos os tipos: leões, tigres, galinhas, vacas, trens e barcos e ele pegou uma caixa de lápis e começou a desenhar.
Mas a professora disse: “Esperem, ainda não é hora de começar”. E ela esperou até todos estarem prontos. “Agora” - disse a professora. “Nós iremos desenhar flores”. “Que bom”. - pensou o menininho. Ele gostava de desenhar flores. E ele começou a desenhar diversas flores com seu lápis rosa, laranja e azul.
Mas a professora disse: “Esperem. Vou mostrar como fazer”. E a flor era vermelha, com o caule verde. “Assim” disse a professora. “Agora vocês podem começar”. O menininho olhou para a flor da professora. Então olhou para a sua flor Ele gostou mais da sua flor. Mas não podia dizer isto.
Ele virou o papel e desenhou uma flor igual à da professora. Era vermelha com o caule verde. No outro dia, quando o menininho estava em aula ao ar livre a professora disse: “Hoje iremos fazer alguma coisa com barro”. “Que bom” - pensou o menininho. Ele gostava de barro. Ele podia fazer todo tipo de coisa com o barro: elefantes e camundongos, carros, caminhões. E ele começou a amassar e juntar sua bola de barro.
Mas a professora disse: “Esperem. Não é hora de começar”. E ela esperou até todos estarem prontos. “Agora”. - disse a professora.
“Nós iremos fazer um prato” “Que bom” - pensou o menininho. Ele gostava de fazer pratos de todas as formas e tamanhos. A professora disse: “Esperem. “Vou mostrar como se faz”. E ela mostrou a todos como fazer um prato fundo. “Assim” - disse a professora. “Agora vocês podem começar”. Então ele olhou para o seu próprio prato. Ele gostava mais do seu prato que o da professora. Mas ele não podia fazer isso.
Ele amassou o seu barro numa grande bola, novamente e fez um prato igual ao da professora. Era um prato fundo. E muito cedo o menininho aprendeu a esperar e a olhar e a fazer as coisas exatamente como a professora e muito cedo ele não fazia mais as coisas por si próprio.
Então aconteceu que o menino e sua família mudaram-se para outra casa, em outra cidade, e o menininho tinha que ir a outra escola. Esta escola era ainda maior do que a outra. E não havia porta da rua para sua sala. Ele tinha que subir grandes degraus até sua sala.
E no primeiro dia ele estava lá. A professora disse: “Hoje nós vamos fazer um desenho”. “Que bom” - pensou o menininho, e ele esperou que a professora dissesse o que fazer. Mas a professora não disse nada. Ela apenas andava pela sala.
Quando ela veio até o menininho disse: “Você não quer desenhar?” “Sim”, disse o menininho. “O que vamos fazer?” “Eu não sei até que você faça” - disse a professora.
“Como eu posso fazê-lo?” - perguntou o menininho. “Da maneira de que você gostar”. - disse a professora. “E de que cor?” perguntou o menininho.
“Se todo mundo fizer o mesmo desenho e usar as mesmas cores, como posso saber quem faz o quê?” “E qual o desenho de cada um?” “Eu não sei”, disse o menininho. E ele começou a desenhar uma flor vermelha com um caule verde.
Garantir que as crianças efetivamente aprendam a ler e escrever assim que entram na escola é o seu grande desafio, professor alfabetizador. Para contribuir com o sucesso do seu trabalho, reunimos nesta página mais de 100 links com reportagens, entrevistas, vídeos e planos de aula sobre as teorias e as práticas envolvidas nesse complexo processo de aquisição da língua escrita. Boa leitura e ótimas aulas!
A psicolinguista argentina desvendou os mecanismos pelos quais as crianças aprendem a ler e escrever, o que levou os educadores a rever radicalmente seus métodos
Foto: Antônio Vargas
Nenhum nome teve mais influência sobre a educação brasileira nos últimos 20 anos do que o da psicolinguista argentina Emilia Ferreiro. A divulgação de seus livros no Brasil, a partir de meados dos anos 1980, causou um grande impacto sobre a concepção que se tinha do processo de alfabetização, influenciando as próprias normas do governo para a área, expressas nos Parâmetros Curriculares Nacionais. As obras de Emilia – Psicogênese da Língua Escrita é a mais importante – não apresentam nenhum método pedagógico, mas revelam os processos de aprendizado das crianças, levando a conclusões que puseram em questão os métodos tradicionais de ensino da leitura e da escrita. "A história da alfabetização pode ser dividida em antes e depois de Emilia Ferreiro", diz a educadora Telma Weisz, que foi aluna da psicolinguista.
Emilia Ferreiro se tornou uma espécie de referência para o ensino brasileiro e seu nome passou a ser ligado ao construtivismo, campo de estudo inaugurado pelas descobertas a que chegou o biólogo suíço Jean Piaget (1896-1980) na investigação dos processos de aquisição e elaboração de conhecimento pela criança – ou seja, de que modo ela aprende. As pesquisas de Emilia Ferreiro, que estudou e trabalhou com Piaget, concentram o foco nos mecanismos cognitivos relacionados à leitura e à escrita. De maneira equivocada, muitos consideram o construtivismo um método.
Tanto as descobertas de Piaget como as de Emilia levam à conclusão de que as crianças têm um papel ativo no aprendizado. Elas constroem o próprio conhecimento – daí a palavra construtivismo. A principal implicação dessa conclusão para a prática escolar é transferir o foco da escola – e da alfabetização em particular – do conteúdo ensinado para o sujeito que aprende, ou seja, o aluno. "Até então, os educadores só se preocupavam com a aprendizagem quando a criança parecia não aprender", diz Telma Weisz. "Emilia Ferreiro inverteu essa ótica com resultados surpreendentes."
O princípio de que o processo de conhecimento por parte da criança deve ser gradual corresponde aos mecanismos deduzidos por Piaget, segundo os quais cada salto cognitivo depende de uma assimilação e de uma reacomodação dos esquemas internos, que necessariamente levam tempo. É por utilizar esses esquemas internos, e não simplesmente repetir o que ouvem, que as crianças interpretam o ensino recebido. No caso da alfabetização isso implica uma transformação da escrita convencional dos adultos (leia mais sobre as hipóteses elaboradas pelas crianças na tentativa de explicar o funcionamento da escrita). Para o construtivismo, nada mais revelador do funcionamento da mente de um aluno do que seus supostos erros, porque evidenciam como ele "releu" o conteúdo aprendido. O que as crianças aprendem não coincide com aquilo que lhes foi ensinado.
Biografia
Emilia Ferreiro nasceu na Argentina em 1936. Doutorou-se na Universidade de Genebra, sob orientação do biólogo Jean Piaget, cujo trabalho de epistemologia genética (uma teoria do conhecimento centrada no desenvolvimento natural da criança) ela continuou, estudando um campo que o mestre não havia explorado: a escrita. A partir de 1974, Emilia desenvolveu na Universidade de Buenos Aires uma série de experimentos com crianças que deu origem às conclusões apresentadas em Psicogênese da Língua Escrita, assinado em parceria com a pedagoga espanhola Ana Teberosky e publicado em 1979. Emilia é hoje professora titular do Centro de Investigação e Estudos Avançados do Instituto Politécnico Nacional, da Cidade do México, onde mora. Além da atividade de professora – que exerce também viajando pelo mundo, incluindo freqüentes visitas ao Brasil –, a psicolingüista está à frente do sitewww.chicosyescritores.org, em que estudantes escrevem em parceria com autores consagrados e publicam os próprios textos.
A psicolinguista argentina desvendou os mecanismos pelos quais as crianças aprendem a ler e escrever, o que levou os educadores a rever radicalmente seus métodos
Idéias que o Brasil adotou
Ambiente alfabetizador em escola gaúcha nos anos 1980: Emilia Ferreiro inspira políticas oficiais. Foto: Paulo Franken
As pesquisas de Emilia Ferreiro e o termo construtivismo começaram a ser divulgados no Brasil no início da década de 1980. As informações chegaram primeiro ao ambiente de congressos e simpósios de educadores. O livro-chave de Emilia, Psicogênese da Língua Escrita, saiu em edição brasileira em 1984. As descobertas que ele apresenta tornaram-se assunto obrigatório nos meios pedagógicos e se espalharam pelo Brasil com rapidez, a ponto de a própria autora manifestar sua preocupação quanto à forma como o construtivismo estava sendo encarado e transposto para a sala de aula. Mas o construtivismo mostrou sua influência duradoura ao ser adotado pelas políticas oficiais de vários estados brasileiros. Uma das experiências mais abrangentes se deu no Rio Grande do Sul, onde a Secretaria Estadual de Educação criou um Laboratório de Alfabetização inspirado nas descobertas de Emilia Ferreiro. Hoje o construtivismo é a fonte da qual derivam várias das diretrizes oficiais do Ministério da Educação. Segundo afirma a educadora Telma Weisz na apresentação de uma das reedições de Psicogênese da Língua Escrita, "a mudança da compreensão do processo pelo qual se aprende a ler e a escrever afetou todo o ensino da língua", produzindo "experimentação pedagógica suficiente para construir, a partir dela, uma didática".
Compreensão do conteúdo
Com base nesses pressupostos, Emilia Ferreiro critica a alfabetização tradicional, porque julga a prontidão das crianças para o aprendizado da leitura e da escrita por meio de avaliações de percepção (capacidade de discriminar sons e sinais, por exemplo) e de motricidade (coordenação, orientação espacial etc.). Dessa forma, dá-se peso excessivo para um aspecto exterior da escrita (saber desenhar as letras) e deixa-se de lado suas características conceituais, ou seja, a compreensão da natureza da escrita e sua organização. Para os construtivistas, o aprendizado da alfabetização não ocorre desligado do conteúdo da escrita.
É por não levar em conta o ponto mais importante da alfabetização que os métodos tradicionais insistem em introduzir os alunos à leitura com palavras aparentemente simples e sonoras (como babá, bebê, papa), mas que, do ponto de vista da assimilação das crianças, simplesmente não se ligam a nada. Segundo o mesmo raciocínio equivocado, o contato da criança com a organização da escrita é adiado para quando ela já for capaz de ler as palavras isoladas, embora as relações que ela estabelece com os textos inteiros sejam enriquecedoras desde o início.
Segundo Emilia Ferreiro, a alfabetização também é uma forma de se apropriar das funções sociais da escrita. De acordo com suas conclusões, desempenhos díspares apresentados por crianças de classes sociais diferentes na alfabetização não revelam capacidades desiguais, mas o acesso maior ou menor a textos lidos e escritos desde os primeiros anos de vida.
Sala de aula vira ambiente alfabetizador
Uma das principais conseqüências da absorção da obra de Emilia Ferreiro na alfabetização é a recusa ao uso das cartilhas, uma espécie de bandeira que a psicolingüista argentina ergue. Segundo ela, a compreensão da função social da escrita deve ser estimulada com o uso de textos de atualidade, livros, histórias, jornais, revistas. Para a psicolingüista, as cartilhas, ao contrário, oferecem um universo artificial e desinteressante. Em compensação, numa proposta construtivista de ensino, a sala de aula se transforma totalmente, criando-se o que se chama de ambiente alfabetizador.
Quer saber mais?
Construtivismo, Maria da Graça Azenha, 128 págs., Ed. Ática, tel. 0800-115-152, 18,90 reais
Cultura Escrita e Educação, Emilia Ferreiro, 179 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 36 reais
Psicogênese da Língua Escrita, Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, 300 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 49 reais
Pessoal, como vocês devem saber, o MEC propôs a criação de um Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente. Este projeto está em tramitação em Brasília e a sociedade foi convidada a contribuir para a elaboração do projeto. Fente a este contexto, diversos Fóruns e entidades têm se pronunciado a respeito.
A partir de algumas considerações questão do currículo da formação dos professores, algumas entidades - que, historicamente, o dedicam-se ao estudo das teorias curriculares como base fundamental de uma política global de formação e valorização dos profissionais da educação, que articule formação inicial e continuada, plano de carreira, condições dignas de trabalho e piso salarial nacional - encaminharam esta semana, ao ministro da educação, uma carta considerando que o Exame proposto passa diretamente à fase de avaliação do professor sem uma definição e implantação prévias de um currículo de formação a ser avaliado.
ANFOPE, ANPAE, ANPED, CEDES e FORUMDIR , por meio do referido documento, destacam alguns aspectos que devem anteceder o Exame:
- Em primeiro lugar, destacam a necessidade de que se tenha um currículo base para a formação dos professores.
- Em segundo lugar, apontam que a lógica da gestão educacional sugere que o processo de avaliação docente deve ser pensado quando se tem um desenho curricular concebido à luz do perfil profissional objeto de avaliação. Sugerem que esses tipos de exames que geram ranqueamentos, não ajudam a formar o professor que o país necessita e que seja respeitado pelo estado e pela comunidade.
- Em terceiro lugar, destacam-se os efeitos ligados ao "estreitamento da visão curricular da formação" pela avaliação. Não havendo um currículo implantado, este é substituído por uma matriz de referência que dá base à organização dos itens do exame de ingresso.
Frente ao exposto, as entidades signatárias do documento suegerem ao MEC que:
1.Revogue a Portaria 14/2010 e suspenda a montagem da matriz de referência do Exame pelo INEP, em razão das profundas implicações desse Exame para a educação brasileira,
2.Retome, com urgência, a questão da definição e implantação do currículo de formação do professor, em favor de um amplo debate nacional, envolvendo as diferentes secretarias do MEC, o CNE e os órgãos gestores de estados e municípios, assim como as universidades e as entidades da sociedade civil que atuam na área.
Simultaneamente ao debate colocado, fóruns como o Movimento Comunidade de Olho na escola pública questionam se os professores têm medo de ser avaliado e afirmam que "A proposta serve somente para o ingresso na carreira de professor. Mas, se fosse aplicada ao longo dos anos, grande parte dos professores seria reprovada já no primeiro ítem da avaliação" (que se refere à conhecimentos de lagislação como LDB e ECA em especial sobre o direito à educação).
NO que se refere à educação infantil, essa questão é ainda mais séria, pois o currículo da própria educação infantil é algo em debate. O perfil do profissional para atuar com as crianças menores não está bem definido e os cursos de formação de professores, em geral, ainda não assumiram a responsabilidade de formar para a docência da primeira infância. Diversas pesquisas indicam a insuficiência da formação inicial no que se refere à educação de crianças de 0 a 6 anos. Deste modo, o debate suscitado por esse projeto de lei tem tudo a ver com a gente!
Frente ao debate colcado, convidamos os visitantes desse blog a se manifestarem sobre o assunto, por meio de comentários.